MIGRANT WOMEN – THE MULTIMEDIA AS PLACES OF ACTION AND REPRESENTATION
The main goal is to create awareness among migrant women and men regarding gender stereotypes, sub-valorization or distortions and discriminations that affect the image of women in the communities’ media and generate ways to become conscious and denounce those situations – every time media don’t follow, indeed, the evolution of reality or don’t help its development, in this domain or in a dynamic perspective.
In order to prepare students, association members and journalists, we recommend a previous exercise of reading or listening to media programs/ shows of the Portuguese community or other foreign communities, as well as American, for a first comparative analysis of its content, in this specific area of influence.
Target public: College students; journalists, association directors
Documents to hand in: The Universal Declaration of Human Rights; Convention concerning elimination of all forms of discrimination against women; Practical Guide of Journalist (rights and duties, rules of behavior); Newspapers and taped local programs/ shows.
PROGRAM PROPOSAL:
1st Day
Opening: Seminar goals. Reference of past seminars that took place at University of Mass-Dartmouth and at Portuguese Association of Montreal, in 2009
Subject
“The gender question in the making and reading of the media”
Which making? (Priorities of media – general information, or specialized, preservation of connections with the country of origin, its cultural traditions, integration in the new country, provide public service, commercial goals?)
Which reading? (Exercises related with listening and watching media programs, social networks, and blogs). Correspondence with proprieties aimed?
2nd Day
1st Subject:
“Rules and limits of each type of media: what we can see and what we can expect trough a more active attitude from the women themselves (radio, TV, newspapers, social networks and blogs)”
2nd Subject
“The intervenient(s) – possibilities of access in the making and influence in the media and multimedia production by women; (from several generations) – introduction also the generational question in a specific community (from Nj?), and its instruments of “defense”, while consumers”.
A ASSOCIAÇÃO "MULHER MIGRANTE" ABRE ESTA TERTÚLIA A CONVERSA SOBRE AS MIGRAÇÕES E AS DIÁSPORAS PORTUGUESA E LUSÓFONAS. VAMOS FALAR DA NOSSA ASSOCIAÇÃO, DAS INICIATIVAS QUE ESTAMOS A DESENVOLVER E DA FORMA COMO PODEM COLABORAR CONNOSCO. UM CONVITE DIRIGIDO, POR IGUAL, A MULHERES E HOMENS, DE TODAS AS IDADES, EM TODAS AS LATITUDES.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
PORTUGAL
Território e Cultura
"Fazei, Senhor, que nunca os admirados
Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses
Possam dezer que são pera mandados
Mais que pera mandar, os Portugueses"
Há anos, um dos nossos grandes políticos, intelectual, professor catedrático, propôs que o Dia de Portugal passasse a ser aquele em que se comemora a batalha que consolidou no trono o primeiro rei, Dom Afonso Henriques, como sendo o dia em que, por esse facto, se abre o caminho à independência nacional.
Nunca me tinha encontrado em maior desacordo com ele - pessoa que estimo e admiro... A meu ver, uma Nação pode fundar-se em inevitáveis confrontos bélicos, mas é na vivência, na persistência, na cultura que se refunda, duravelmente, pelo que acentuar este último aspecto, sem desvalorizar o primeiro, só é de enaltecer...
Foi preciso, é certo, um território nosso para existirmos, mas a Nação construiu-se pela vontade política de sermos Portugueses, com a nossa língua, crenças, tradições, feitos e projectos colectivos, independência verdadeira (para dedidir, e "pera mandar", na expressão do Poeta), com a capacidade de continuar um percurso histórico, cada vez mais longo, cada vez mais disperso, pelas sete partidas do mundo, com uma presença universal encarnada em milhões de cidadãos expatriados...
"Portugal é mais uma cultura do que uma organização rígida".
Lembro-me de ouvir estas palavras do Dr. Francisco Sá Carneiro, em 1980. Ficaram comigo, para sempre, como uma síntese feliz do que somos e queremos ser: uma cultura em expansão - em comunidades situadas na geografia de todos os continentes. Uma língua das mais faladas a nível planetário, no século XXI, um elo de ligação entre povos que partilham passado, presente e, previsivelmente, partilharão futuro.
Por isso, mais do que guerras, confrontos, conflitos, dentro de fronteiras e no espaço de um império (que também os houve e foram uma parte do processo de "Expansão"...), o que perdura, como matriz deste Portugal maior, é a sua cultura e experiência de convívio com outras culturas.
Que imagem do País, captado nesta sua essência esplêndida e eterna, poderíamos nós encontrar, melhor do que a dos poemas Camões, melhor do que a da Diáspora - a dos portugueses habitam, ainda agora, muitos dos lugares do nosso mítico passado?
A proposta que comecei por referir é, afinal, bem característica de uma certa forma de insatisfação nacional, a obsessão da mudança pela mudança, ou de uma subserviente a imitação de exemplos estrangeiros. Tendo nós encontrado uma fórmula ideal de nos olharmos, de nos mostrarmos, de bem connosco e com os outros, no simbolismo do dia nacional, ainda assim havia quem quisesse uma alternativa, evocando querelas e pelejas entre mãe e filho, entre clãs da aristocracia da época, apartando a Galiza, hoje cada vez mais próxima, distanciando de nós, na celebração, a memória dos Lusíadas de tempos idos, e dos novos Lusíadas, os emigrantes do tempo que corre!
Não teve acolhimento a sugestão e, assim, Portugal continuará, de uma forma tão original e tão expressiva dos seus valores, a rememorar Camões e as Comunidades Portuguesas, a 10 de Junho.
E, como bem sabemos, os que tivemos, como eu tive, a sorte de viver esta comemoração, ano após ano, junto de muitas e diversas comunidades da Diáspora, a celebração é mais sentida, mais emotiva, mais agregadora, fora do próprio território pátrio do dentro dele.
Esta é para mim, por tudo isto, uma data muito especial, cheia de recordações e de saudades. Uma ocasião para dizer aos amigos do Brasil e de outras comunidades, que eles são, para nós, motivo de imenso orgulho e, sobretudo em momentos de assustadora crise e de incerteza, como os que atravessamos, uma razão de esperança!
É a hora de reler os versos do Poeta, e, nas suas palavras inspiradas, adivinhar ou buscar a profecia:
"Olhai como depois de um grande medo
Tão desejado bem logo se alcança".
Maria Manuela Aguiar
Território e Cultura
"Fazei, Senhor, que nunca os admirados
Alemães, Galos, Ítalos e Ingleses
Possam dezer que são pera mandados
Mais que pera mandar, os Portugueses"
Há anos, um dos nossos grandes políticos, intelectual, professor catedrático, propôs que o Dia de Portugal passasse a ser aquele em que se comemora a batalha que consolidou no trono o primeiro rei, Dom Afonso Henriques, como sendo o dia em que, por esse facto, se abre o caminho à independência nacional.
Nunca me tinha encontrado em maior desacordo com ele - pessoa que estimo e admiro... A meu ver, uma Nação pode fundar-se em inevitáveis confrontos bélicos, mas é na vivência, na persistência, na cultura que se refunda, duravelmente, pelo que acentuar este último aspecto, sem desvalorizar o primeiro, só é de enaltecer...
Foi preciso, é certo, um território nosso para existirmos, mas a Nação construiu-se pela vontade política de sermos Portugueses, com a nossa língua, crenças, tradições, feitos e projectos colectivos, independência verdadeira (para dedidir, e "pera mandar", na expressão do Poeta), com a capacidade de continuar um percurso histórico, cada vez mais longo, cada vez mais disperso, pelas sete partidas do mundo, com uma presença universal encarnada em milhões de cidadãos expatriados...
"Portugal é mais uma cultura do que uma organização rígida".
Lembro-me de ouvir estas palavras do Dr. Francisco Sá Carneiro, em 1980. Ficaram comigo, para sempre, como uma síntese feliz do que somos e queremos ser: uma cultura em expansão - em comunidades situadas na geografia de todos os continentes. Uma língua das mais faladas a nível planetário, no século XXI, um elo de ligação entre povos que partilham passado, presente e, previsivelmente, partilharão futuro.
Por isso, mais do que guerras, confrontos, conflitos, dentro de fronteiras e no espaço de um império (que também os houve e foram uma parte do processo de "Expansão"...), o que perdura, como matriz deste Portugal maior, é a sua cultura e experiência de convívio com outras culturas.
Que imagem do País, captado nesta sua essência esplêndida e eterna, poderíamos nós encontrar, melhor do que a dos poemas Camões, melhor do que a da Diáspora - a dos portugueses habitam, ainda agora, muitos dos lugares do nosso mítico passado?
A proposta que comecei por referir é, afinal, bem característica de uma certa forma de insatisfação nacional, a obsessão da mudança pela mudança, ou de uma subserviente a imitação de exemplos estrangeiros. Tendo nós encontrado uma fórmula ideal de nos olharmos, de nos mostrarmos, de bem connosco e com os outros, no simbolismo do dia nacional, ainda assim havia quem quisesse uma alternativa, evocando querelas e pelejas entre mãe e filho, entre clãs da aristocracia da época, apartando a Galiza, hoje cada vez mais próxima, distanciando de nós, na celebração, a memória dos Lusíadas de tempos idos, e dos novos Lusíadas, os emigrantes do tempo que corre!
Não teve acolhimento a sugestão e, assim, Portugal continuará, de uma forma tão original e tão expressiva dos seus valores, a rememorar Camões e as Comunidades Portuguesas, a 10 de Junho.
E, como bem sabemos, os que tivemos, como eu tive, a sorte de viver esta comemoração, ano após ano, junto de muitas e diversas comunidades da Diáspora, a celebração é mais sentida, mais emotiva, mais agregadora, fora do próprio território pátrio do dentro dele.
Esta é para mim, por tudo isto, uma data muito especial, cheia de recordações e de saudades. Uma ocasião para dizer aos amigos do Brasil e de outras comunidades, que eles são, para nós, motivo de imenso orgulho e, sobretudo em momentos de assustadora crise e de incerteza, como os que atravessamos, uma razão de esperança!
É a hora de reler os versos do Poeta, e, nas suas palavras inspiradas, adivinhar ou buscar a profecia:
"Olhai como depois de um grande medo
Tão desejado bem logo se alcança".
Maria Manuela Aguiar
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Acção e Representação das Mulheres nos media - Seminário de New Bedford
MULHERES MIGRANTES- OS MULTIMEDIA ENQUANTO ESPAÇOS DE ACÇÃO E REPRESENTAÇÃO
Os seminários subordinados a esta temática foram delineados pela Associação “Mulher Migrante” e a sua concretização em várias comunidades da América do Norte vem sendo apoiada pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, desde 2009.
Uma parceria para colaboração nos seminários foi estabelecida com a Fundação Pro Dignitate e o CEMRI (Universidade Aberta) com os Consulados de Portugal da área envolvida e com instituições locais (universidades, associações, jornais).
O objectivo fundamental é a sensibilização de mulheres e homens migrantes para os estereótipos de género, subvalorização ou distorções e discriminações que afectam a imagem das mulheres nos “media” das comunidades e para as formas de tomada de consciência e de denúncia dessas situações – sempre que os media não acompanhem, de facto, a evolução da realidade, neste domínio ou, numa perspectiva dinâmica, não ajudem o seu desenvolvimento.
Igualmente se visa analisar as formas de intervenção feminina nos “media” e nos “multimedia” – e os seus efeitos na mudança, no ajustamento à realidade e na própria transformação positiva dessa realidade, no sentido da participação cívica das imigrantes na sociedade onde procuram gozar de direitos iguais.
Um enfoque particular nos multimédia, poderá encorajar as mulheres a um papel mais activo, por oferecerem um acesso, à partida, mais igualitário e por poderem ter, também, reflexos nos meios de comunicação tradicionais.
Como preparação da participação de estudantes, membros de associações e jornalistas, sugere-se um exercício prévio de leitura ou audição de programas de comunicação social da comunidades portuguesa ou de outras comunidades estrangeiras, assim como dos americanos, para um a primeira análise comparativa do seu conteúdo, nesta vertente.
PÚBLICO-ALVO: Estudantes universitários; Jornalistas; Dirigentes associativos
DOCUMENTOS A DISTRIBUIR: A Declaração Universal dos Direitos Humanos; Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres; O Guia Prático do Jornalista (direitos e deveres, regras de comportamento); Jornais e gravações de programas locais.
PROPOSTA DE PROGRAMA:
!º Dia de Trabalho
Abertura: Objectivos dos seminários. Referência aos realizados na Universidade de Mass-Dartmouth e na Associação Portuguesa de Montreal, em 2009
Tema
“A questão de género, na feitura e na leitura dos media”
Que feitura? (prioridades da comunicação social – informação geral, ou especializada, manutenção das ligações ao país de origem, das tradições culturais, integração no novo país, prestação de serviço público, objectivos comerciais?)
Que leitura? (exercícios relacionados com a escuta, visionamento, audição de programas dos media, redes sociais, blogues). Correspondem às prioridades desejadas?
2º Dia de Trabalho
1º Tema:
“Regras e limites de cada tipo de media: o que se constata e o que se pode esperar, através de uma atitude mais activa das próprias mulheres ( rádio, tv, jornais, redes sociais e blogues)”
2º Tema
“Os intervenientes – possibilidades de acesso à feitura e influência na feitura dos media e multimédia pelas mulheres, ( de várias gerações) – introduzir também a questão geracional? numa comunidade concreta, (a de NJ?), e seus instrumentos de “defesa”, enquanto .consumidoras”.
Os seminários subordinados a esta temática foram delineados pela Associação “Mulher Migrante” e a sua concretização em várias comunidades da América do Norte vem sendo apoiada pela Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, desde 2009.
Uma parceria para colaboração nos seminários foi estabelecida com a Fundação Pro Dignitate e o CEMRI (Universidade Aberta) com os Consulados de Portugal da área envolvida e com instituições locais (universidades, associações, jornais).
O objectivo fundamental é a sensibilização de mulheres e homens migrantes para os estereótipos de género, subvalorização ou distorções e discriminações que afectam a imagem das mulheres nos “media” das comunidades e para as formas de tomada de consciência e de denúncia dessas situações – sempre que os media não acompanhem, de facto, a evolução da realidade, neste domínio ou, numa perspectiva dinâmica, não ajudem o seu desenvolvimento.
Igualmente se visa analisar as formas de intervenção feminina nos “media” e nos “multimedia” – e os seus efeitos na mudança, no ajustamento à realidade e na própria transformação positiva dessa realidade, no sentido da participação cívica das imigrantes na sociedade onde procuram gozar de direitos iguais.
Um enfoque particular nos multimédia, poderá encorajar as mulheres a um papel mais activo, por oferecerem um acesso, à partida, mais igualitário e por poderem ter, também, reflexos nos meios de comunicação tradicionais.
Como preparação da participação de estudantes, membros de associações e jornalistas, sugere-se um exercício prévio de leitura ou audição de programas de comunicação social da comunidades portuguesa ou de outras comunidades estrangeiras, assim como dos americanos, para um a primeira análise comparativa do seu conteúdo, nesta vertente.
PÚBLICO-ALVO: Estudantes universitários; Jornalistas; Dirigentes associativos
DOCUMENTOS A DISTRIBUIR: A Declaração Universal dos Direitos Humanos; Convenção sobre a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres; O Guia Prático do Jornalista (direitos e deveres, regras de comportamento); Jornais e gravações de programas locais.
PROPOSTA DE PROGRAMA:
!º Dia de Trabalho
Abertura: Objectivos dos seminários. Referência aos realizados na Universidade de Mass-Dartmouth e na Associação Portuguesa de Montreal, em 2009
Tema
“A questão de género, na feitura e na leitura dos media”
Que feitura? (prioridades da comunicação social – informação geral, ou especializada, manutenção das ligações ao país de origem, das tradições culturais, integração no novo país, prestação de serviço público, objectivos comerciais?)
Que leitura? (exercícios relacionados com a escuta, visionamento, audição de programas dos media, redes sociais, blogues). Correspondem às prioridades desejadas?
2º Dia de Trabalho
1º Tema:
“Regras e limites de cada tipo de media: o que se constata e o que se pode esperar, através de uma atitude mais activa das próprias mulheres ( rádio, tv, jornais, redes sociais e blogues)”
2º Tema
“Os intervenientes – possibilidades de acesso à feitura e influência na feitura dos media e multimédia pelas mulheres, ( de várias gerações) – introduzir também a questão geracional? numa comunidade concreta, (a de NJ?), e seus instrumentos de “defesa”, enquanto .consumidoras”.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Da Califórnia, com talento...
DO MAR, HÁ MUITO TEMPO ...
Deixei-te a chorar por ti...
A última vez que te vi, cerraras já o teu véu.
Olhei-te do lisbonense estuário,
ondas brancas, então pequenas, embora o mar a crescer,
a marulhar,a encarneirar,
a zangar-se
e a toldar-me mais a vista.
Estavas cinzenta, fechada, no teu altar escondida,
envolta em névoa, majestosa, eras jóia aferrolhada.
Cada dia que passei fora de ti, dia perdido.
Promontório da Lua, nada vale como tu!
Acordas fresca e sorris,
algo em ti é de beleza irreplicável,
no mundo,
de ponta a ponta ...
a açucena e a mimosa, o malmequer e a camélia a perfumar-te...
... e o aroma dos pitósporos em flor nas cálidas noites de Agosto?!
Injusto é morrer sem dormir uma noite em ti!
Pelo menos uma noite!
Uma cálida noite de Agosto e o aroma dos teus pitósporos pelas frestas da janela ...
para se voltar a viver ...
Chega o crepúsculo e logo mostras teu divino seio,
corre o Sol a reluzir-te,
ficas na Terra rainha.
És dona dos verdes todos, do tapete inigualável,
és delicada, viçosa,
és intocável e pura,
és virgem e soberana.
Do Tejo não vi o teu rosto,
estavas de costas voltadas, remota, inatingível,
fiquei triste,
fiquei só...
Hora da despedida,
rolos e rolos de fitinhas,
fitinhas de muitas cores,
fitinhas de todas as cores,
arco-íris de fitinhas,
roxo
anilado
azul
verde
amarelo
alaranjado
vermelho,
a cair do navio para a doca,
a colorir o navio,
... a adoçicar a mágoa?
ainda que lá estivesse esperança ...
a esperança de quem parte,
a esperança de quem sai,
de quem teve de sair,
de sair ...
atormentado,
de quem parte à aventura,
de quem sai desafiando,
arrostando,
temerariamente,
o perigo,
iminente,
a espreitar atrás do sonho ...
vozearia,
gente,
muita gente no cais,
braços,
centenas de braços ... no ar ... gesticulando,
afirmando o mesmo adeus de todas as despedidas,
lábios, centenas de lábios,
promessa de beijos.
Centenas de lábios chorando beijos,
atirando beijos
do cais para o navio, do navio para o cais,
centenas de beijos,
dizendo amor
e dor,
e eu triste e só,
e o navio ...
a quilha a sulcar o infindo oceano ...
e eu triste e só,
mas tu meu formoso berço,
minha namorada amantíssima,
minha Sintra sem igual,
lembras-te? - foste o deleite de Byron e a Cynthia dos Romanos,
numa exaltação,
suave,
doce de mel,
que foi bálsamo,
trouxe a vida,
chegaste, estuante, ao meu lado,
olhaste, terna, o teu filho,
ergueste a fronte,
abalaste...
Edmundo Macedo
Los Angeles
Abril 1995
e
Abril 2010
Deixei-te a chorar por ti...
A última vez que te vi, cerraras já o teu véu.
Olhei-te do lisbonense estuário,
ondas brancas, então pequenas, embora o mar a crescer,
a marulhar,a encarneirar,
a zangar-se
e a toldar-me mais a vista.
Estavas cinzenta, fechada, no teu altar escondida,
envolta em névoa, majestosa, eras jóia aferrolhada.
Cada dia que passei fora de ti, dia perdido.
Promontório da Lua, nada vale como tu!
Acordas fresca e sorris,
algo em ti é de beleza irreplicável,
no mundo,
de ponta a ponta ...
a açucena e a mimosa, o malmequer e a camélia a perfumar-te...
... e o aroma dos pitósporos em flor nas cálidas noites de Agosto?!
Injusto é morrer sem dormir uma noite em ti!
Pelo menos uma noite!
Uma cálida noite de Agosto e o aroma dos teus pitósporos pelas frestas da janela ...
para se voltar a viver ...
Chega o crepúsculo e logo mostras teu divino seio,
corre o Sol a reluzir-te,
ficas na Terra rainha.
És dona dos verdes todos, do tapete inigualável,
és delicada, viçosa,
és intocável e pura,
és virgem e soberana.
Do Tejo não vi o teu rosto,
estavas de costas voltadas, remota, inatingível,
fiquei triste,
fiquei só...
Hora da despedida,
rolos e rolos de fitinhas,
fitinhas de muitas cores,
fitinhas de todas as cores,
arco-íris de fitinhas,
roxo
anilado
azul
verde
amarelo
alaranjado
vermelho,
a cair do navio para a doca,
a colorir o navio,
... a adoçicar a mágoa?
ainda que lá estivesse esperança ...
a esperança de quem parte,
a esperança de quem sai,
de quem teve de sair,
de sair ...
atormentado,
de quem parte à aventura,
de quem sai desafiando,
arrostando,
temerariamente,
o perigo,
iminente,
a espreitar atrás do sonho ...
vozearia,
gente,
muita gente no cais,
braços,
centenas de braços ... no ar ... gesticulando,
afirmando o mesmo adeus de todas as despedidas,
lábios, centenas de lábios,
promessa de beijos.
Centenas de lábios chorando beijos,
atirando beijos
do cais para o navio, do navio para o cais,
centenas de beijos,
dizendo amor
e dor,
e eu triste e só,
e o navio ...
a quilha a sulcar o infindo oceano ...
e eu triste e só,
mas tu meu formoso berço,
minha namorada amantíssima,
minha Sintra sem igual,
lembras-te? - foste o deleite de Byron e a Cynthia dos Romanos,
numa exaltação,
suave,
doce de mel,
que foi bálsamo,
trouxe a vida,
chegaste, estuante, ao meu lado,
olhaste, terna, o teu filho,
ergueste a fronte,
abalaste...
Edmundo Macedo
Los Angeles
Abril 1995
e
Abril 2010
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Novo Encontro em Espinho

Apresentação colectiva da dupla publicação "Cidadãs da Diáspora - Encontro em Espinho" e da "Mulher Migrante em Congresso".
Na primeira as comunicações científicas, na segunda o blogue, as notícias nos media, a história documentada dos primeiros congressos e reuniões mundiais e regionais para a igualdade da Mulher nas comunidades do estrangeiro.
Entre os autores das comunicações tomaram a palavra Rita Gomes, Graça Guedes, Arcelina Santiago, Glória Rocha, Isabelle Oliveira, Alípio Jorge, Durval Marques e Manuela Aguiar, coordenadora da publicação.
Na primeira as comunicações científicas, na segunda o blogue, as notícias nos media, a história documentada dos primeiros congressos e reuniões mundiais e regionais para a igualdade da Mulher nas comunidades do estrangeiro.
Entre os autores das comunicações tomaram a palavra Rita Gomes, Graça Guedes, Arcelina Santiago, Glória Rocha, Isabelle Oliveira, Alípio Jorge, Durval Marques e Manuela Aguiar, coordenadora da publicação.
Seguiu-se, integrada co ciclo de conferências sobre o Centenário da República em Espinho, uma palestra de Carlos Luiz - ele próprio participante do Encontro "Cidadãs em Diáspora - sobre "Emigração e Exílio nas vésperas da Revolução de 1910". Simplesmente brilhante!
Espera-se a sua publicação!

Espera-se a sua publicação!
E, a terminar, pela voz de Nuno Araújo e de colaboradores próximos de Aníbal Araújo, a homenagem que ele nos merece pelo seu companheirismo a dedicação de sempre. Manuel Dias, o grande jornalista, a quem o Governador Civil fez um elogio, que reflectia o sentir geral dospresentes, foi o primeiro a tomar a palavra. Ele, que é um dos maiores especialistas de emigração portuguesa, acompanhou as iniciativas da Associação "Mulher Migrante" desde a primeira hora .
Presidiu à tripla sessão o Governador Civil de Aveiro José Mota. Não esqueceremos nunca o apoio de primeira hora que ele deu à realização do ENCONTRO-2009, que sem ele não teria ido pela frente, quando mais nenhum suporte estava
garantido. Na altura, na qualidade Presidente da Câmara de Espinho.E não esquecemos também que, já em 1995, nessa mesma qualidade, foi o anfitrião do 1º congresso mundial de mulheres migrantes.
Fez questão de estar connosco, de novo, como a Associação Mulher Migrante fez questão que ele estivesse presente.
Esteve, igualmente, na mesa de honra do primeiro lançamento deste, em Lisboa, no final do ano passado, ao lado do Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas.
A sala de leitura da Biblioteca Municipal encheu, com mais de 70 presenças. Nem todos puderam estar às 5.00 em ponto da tarde, mas foram chegando, à medida que os afazeres profissionais o permitiam - caso de Rosa Sampaio e de Teresa Aguiar, uma das coordenadores da publicação. Deixou-se ficar, discretamente, entre a assistência, mas todos os que acompanharam, de perto, o percurso do blogue, reconhecem a importância do seu trabalho quotidiano.
O mesmo se diga da Profª Rosa Sampaio, como confrencista e como comentarista do blogue.
terça-feira, 20 de abril de 2010
Aquele abraço, Aníbal Araújo
Aníbal de Oliveira Araújo vivia com a imprensa regional e com as comunidades portuguesas no coração. Aos 57 anos de idade, o jornalista de Oliveira de Azeméis sucumbiu a uma rasteira pregada por esse mesmo coração, com o qual se entregou por inteiro à causa de servir não só a sua profissão, mas também a sociedade civil em várias vertentes de actuação.
Desde a juventude que Aníbal Araújo quis estar ligado à imprensa regional, colaborando activamente nos periódicos locais. Depois de um percurso profissional inicialmente ligado à função pública, no dealbar dos 80 era chegada a hora de tomar as rédeas do emblemático título ‘A Voz de Azeméis’, um quinzenário que, logo em 1987, passaria a ser publicado semanalmente, em resultado da dinâmica que o administrador logrou implementar. E estava lançada a semente que frutificaria num grupo de comunicação social que acabaria por estender-se ao mundo lusófono, sobretudo através da revista ‘Portugal’, fundada em 1987, publicação vocacionada para as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Era uma verdadeira carta de família, que todos os meses chegava a casa de muitos emigrantes portugueses.
A revista ‘Portugal’ era, no fundo, a materialização de um carinho muito especial que Aníbal Araújo sempre teve para com as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Tanto que foi através desta chancela que, em 1991, foram ‘lançados’ os Troféus Prestígio e Dedicação Comunidades Portuguesas, galardão que ao longo dos tempos se tornou bem conhecido da nossa diáspora. O objectivo era distinguir as personalidades que, em cada uma das comunidades lusas, mantêm vivos os valores pátrios e apostam na solidariedade como valor português. Mais de 400 individualidades foram distinguidas, ao longo dos anos, com este Troféu.
Não seria só Aníbal Araújo a promover distinções e homenagens. Ele próprio foi reconhecido, em Portugal e em inúmeros países, pelo trabalho desenvolvido em prol da portugalidade. Distinguido como comendador além-atlântico, também a República Portuguesa reconhecê-lo-ia digno da Comenda da Ordem de Mérito.
No panorama editorial, o grupo de Aníbal Araújo deixa vários títulos editados, muitos dos quais integralmente custeados, pegando na prosa dos reputados cronistas que sempre soube escolher para as suas publicações de índole informativa.
Em Oliveira de Azeméis, faziam furor as celebrações dos aniversários de ‘A Voz’ e da revista ‘Portugal’, sempre presididos por altos responsáveis governamentais, desde ministros e diversos secretários de Estado, com inúmeros deputados da nação a figurarem entre os convidados de honra.
Aníbal Araújo recorria com frequência a uma citação ‘assinada’ pelo primeiro director do jornal ‘A Voz de Azeméis’, Tomás Fernandes: “Também desejaria que o jornal cumprisse a sua missão de uma forma elevada. Não rastejará”.
Quem acompanhou o trabalho que Aníbal Araújo desenvolveu, ao longo de quase trinta anos, com responsabilidades administrativas e de direcção de órgãos de imprensa, sabe que a missão foi, de facto, cumprida de forma elevada. A honestidade, o sentido de honra, a verticalidade que impunha no cumprimento dessa missão eram os mesmos predicados com que geria a sua própria vida.
Se Aníbal Araújo levou toda a sua vida servindo com competência profissional, a sua abnegação fez com que dedicasse muito, muito tempo ao associativismo. Na área da imprensa, Aníbal Araújo integrou o grupo de fundadores da UNIR – União Portuguesa da Imprensa Regional, organismo representativo de cuja direcção foi, também, presidente. Sob a sua ’égide’ concretizaram-se diversos congressos temáticos sobre o sector, pois Aníbal Araújo sempre foi um acérrimo defensor da justiça com que deveria ser tratada a imprensa regional.
A entrega máxima pela sociedade surgiu quando aceitou ser candidato a deputado da Assembleia da República pelo círculo eleitoral de fora da Europa. Era a posição ideal para quem sempre lutou, e queria fazer algo de bom pelos emigrantes portugueses que, acreditava Aníbal Araújo, vinham sendo esquecidos pelos partidos políticos e pelos governantes. Não almejou a vitória, mas conseguiu um resultado histórico para o partido pelo qual, embora na condição de independente, deu rosto e nome, ficando assim testemunhado o carinho e amizade com que os que estão lá fora correspondiam Aníbal Araújo.
Fica a lembrança. Fica a memória de um Homem justo, que – quantas vezes demasiado ingenuamente – não abdicava da honestidade em nome de qualquer benefício pessoal. Fica a saudade ‘daquele abraço’ com que, ao telefone, se despedia quando estava longe, no outro lado do Atlântico, mas que diariamente queria saber notícias de Portugal e de Oliveira de Azeméis.
Aníbal Araújo: de nós, para ti, ‘aquele abraço’.
Desde a juventude que Aníbal Araújo quis estar ligado à imprensa regional, colaborando activamente nos periódicos locais. Depois de um percurso profissional inicialmente ligado à função pública, no dealbar dos 80 era chegada a hora de tomar as rédeas do emblemático título ‘A Voz de Azeméis’, um quinzenário que, logo em 1987, passaria a ser publicado semanalmente, em resultado da dinâmica que o administrador logrou implementar. E estava lançada a semente que frutificaria num grupo de comunicação social que acabaria por estender-se ao mundo lusófono, sobretudo através da revista ‘Portugal’, fundada em 1987, publicação vocacionada para as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Era uma verdadeira carta de família, que todos os meses chegava a casa de muitos emigrantes portugueses.
A revista ‘Portugal’ era, no fundo, a materialização de um carinho muito especial que Aníbal Araújo sempre teve para com as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Tanto que foi através desta chancela que, em 1991, foram ‘lançados’ os Troféus Prestígio e Dedicação Comunidades Portuguesas, galardão que ao longo dos tempos se tornou bem conhecido da nossa diáspora. O objectivo era distinguir as personalidades que, em cada uma das comunidades lusas, mantêm vivos os valores pátrios e apostam na solidariedade como valor português. Mais de 400 individualidades foram distinguidas, ao longo dos anos, com este Troféu.
Não seria só Aníbal Araújo a promover distinções e homenagens. Ele próprio foi reconhecido, em Portugal e em inúmeros países, pelo trabalho desenvolvido em prol da portugalidade. Distinguido como comendador além-atlântico, também a República Portuguesa reconhecê-lo-ia digno da Comenda da Ordem de Mérito.
No panorama editorial, o grupo de Aníbal Araújo deixa vários títulos editados, muitos dos quais integralmente custeados, pegando na prosa dos reputados cronistas que sempre soube escolher para as suas publicações de índole informativa.
Em Oliveira de Azeméis, faziam furor as celebrações dos aniversários de ‘A Voz’ e da revista ‘Portugal’, sempre presididos por altos responsáveis governamentais, desde ministros e diversos secretários de Estado, com inúmeros deputados da nação a figurarem entre os convidados de honra.
Aníbal Araújo recorria com frequência a uma citação ‘assinada’ pelo primeiro director do jornal ‘A Voz de Azeméis’, Tomás Fernandes: “Também desejaria que o jornal cumprisse a sua missão de uma forma elevada. Não rastejará”.
Quem acompanhou o trabalho que Aníbal Araújo desenvolveu, ao longo de quase trinta anos, com responsabilidades administrativas e de direcção de órgãos de imprensa, sabe que a missão foi, de facto, cumprida de forma elevada. A honestidade, o sentido de honra, a verticalidade que impunha no cumprimento dessa missão eram os mesmos predicados com que geria a sua própria vida.
Se Aníbal Araújo levou toda a sua vida servindo com competência profissional, a sua abnegação fez com que dedicasse muito, muito tempo ao associativismo. Na área da imprensa, Aníbal Araújo integrou o grupo de fundadores da UNIR – União Portuguesa da Imprensa Regional, organismo representativo de cuja direcção foi, também, presidente. Sob a sua ’égide’ concretizaram-se diversos congressos temáticos sobre o sector, pois Aníbal Araújo sempre foi um acérrimo defensor da justiça com que deveria ser tratada a imprensa regional.
A entrega máxima pela sociedade surgiu quando aceitou ser candidato a deputado da Assembleia da República pelo círculo eleitoral de fora da Europa. Era a posição ideal para quem sempre lutou, e queria fazer algo de bom pelos emigrantes portugueses que, acreditava Aníbal Araújo, vinham sendo esquecidos pelos partidos políticos e pelos governantes. Não almejou a vitória, mas conseguiu um resultado histórico para o partido pelo qual, embora na condição de independente, deu rosto e nome, ficando assim testemunhado o carinho e amizade com que os que estão lá fora correspondiam Aníbal Araújo.
Fica a lembrança. Fica a memória de um Homem justo, que – quantas vezes demasiado ingenuamente – não abdicava da honestidade em nome de qualquer benefício pessoal. Fica a saudade ‘daquele abraço’ com que, ao telefone, se despedia quando estava longe, no outro lado do Atlântico, mas que diariamente queria saber notícias de Portugal e de Oliveira de Azeméis.
Aníbal Araújo: de nós, para ti, ‘aquele abraço’.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Do Prof Doutor Jorge Arroteia
Srª Drª Manuela Aguiar
Boa tarde.
Venho agradecer o convite para o lançamento do livro sobre o encontro de Espinho. Peço desculpa de não poder participar por ter sido convocado, como Presidente do Conselho geral do Inst. Politécnico de Leiria, para uma audição do Conselho Nacional de Educação, que vai decorrer nessa data.
No entanto, como sugere, tenho o maior prazer em lhe enviar, tão breve quanto possível, um pequeno texto.
Obrigado. Aceite os meus cumprimentos.
Jorge Arroteia
Boa tarde.
Venho agradecer o convite para o lançamento do livro sobre o encontro de Espinho. Peço desculpa de não poder participar por ter sido convocado, como Presidente do Conselho geral do Inst. Politécnico de Leiria, para uma audição do Conselho Nacional de Educação, que vai decorrer nessa data.
No entanto, como sugere, tenho o maior prazer em lhe enviar, tão breve quanto possível, um pequeno texto.
Obrigado. Aceite os meus cumprimentos.
Jorge Arroteia
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