sexta-feira, 14 de abril de 2017

COLÓQUIO EM MONÇÃO - CAMPOS DE INTERVENÇÃO FEMININOS

Uma organização conjunta da ESCOLA PROFISSIONAL DO ALTO MINHO INTERIOR (EPRAMI) e do núcleo regional do Norte da AEMM, encabeçado por Arcelina Santiago e Graça Guedes. O Colóquio realiza-se no próximo dia 3 de maio, no Auditório José Emílio Moreira CAMPOS DE INTERVENÇÃO NO FEMININO \\ 09: 30 Receção \\ 10: 00 Painel I _Igualdade de Género - A Liderança no Feminino_ Professor Doutor João Paulo Vieito e Dra. Manuela Aguiar Moderadora: Mestre Arcelina Santiago \\ 11: 00 Coffee Break \\ 11:15 Painel II _Gestão de Topo no Feminino_ (mulheres vereadoras em exercício e gestoras) Moderadora: Professora Doutora Graça Guedes \\ 13: 00 Almoço \\ 14: 30 Painel III _ Maria Archer_ Entrevista Imaginária - Maria Archer Pedro Cerqueira Beatriz Lopes Maria Archer - A Escritora e o Exílio Dra. Manuela Aguiar e Dra. Arcelina Santiago \\ 16.30 Encerramento

terça-feira, 1 de novembro de 2016

SAUDADES DE JOSÉ LELLO - A ÚLTIMA ENTREVISTA

O meu último encontro com José Lello, no programa de rádio e TV de uma grande jornalista, Maria Flor Pedroso. Ainda bem que aconteceu. Foi um convívio inesquecível, e, de alguma forma, um balanço de relacionamento político e, acima de tudo, pessoal de dois antigos responsáveis da pasta da Emigração - uma Secretária de Estado, um Secretário Estado. Dois Amigos. O link--------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- https://shar.es/1E9hJt

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Na RTP - " PRAÇA" - entrevista ao nosso Cônsul em Melbourne, Dr CARLOS LEMOS

Link to Praca program 21 October 2016 http://www.rtp.pt/play/p2778/e255525/a-praca/531208

sexta-feira, 15 de julho de 2016

XXIII Encontros Filosóficos - Migrações e Felicidade, Faial Pico,São Jorge, 12 a 25 de abril 2006 Participação de Maria Manuela Aguiar, na qualidade de Presidente da Associação de Estudo Mulher Migrante Dia 14, Auditório da ESMA, Horta "Conferência Migrações, Participação e Cidadania" Conferência - Debate moderado por Maria Fernanda Serpa Dia 14 Pico Migrações de Cidadania Dia 15, "Sociedade Amor Pátrio", Horta "Género , Migrações e Cidadania Nos mesmos Encontros, foi conferencista, na qualidade de Professora da Universidade Aberta, a Dirigente da AEMM, Profª Doutora Maria Beatriz Rocha Trindade. Na sessão do dia 15, as duas fundadoras da AEMM, e a Profª Doutora Teresa Santos (Universidade de Évora) intervieram conjuntamente no período de debate. Entre os conferencistas destes Encontros, cheios de história, estiveram o Pe Vaz Pinto (Revista Brotéria), o Dr Eugénio Fonseca (Caritas), Prof Doutor Assis Brasil (Universidade de Porto Alegre), Profª Doutora Gilberta Rocha (Universidade dos Açores) entre muitos outros.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

H omenagem à Drª Maria Barroso - Profª Doutora Isabelle Oliveira, Univ Aberta - 2 junho

É, de facto, um imenso privilégio estar presente nesta bela homenagem à Dr.ª Maria de Jesus Barroso Soares, que fica “para além do tempo como se a maré nunca a levasse da praia onde foi feliz” para retomar um trecho do poema “Há mulheres que trazem o mar nos olhos” da sua grande amiga Sofia de Mello Breyner. Começo por saudar os ilustres membros da mesa e permitam-me que dirija uma palavra de saudação especial à Senhora Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Dr.ª Catarina Marcelino, que com a sua presença, veio emprestar uma maior solenidade ao acto e conferir-lhe um reforçado carácter responsabilizante. Dirijo igualmente o meu agradecimento e uma especial saudação aos ilustres convidados que, com a sua presença, enobrecem o evento. Propositadamente, deixei para último lugar os agradecimentos à nossa anfitriã, a Universidade Aberta, e toda a minha admiração, a duas ilustres Senhoras, Dr.ª Manuela Aguiar e Dr.ª Rita Gomes, querendo justamente dar-lhes a primazia que lhes é devida pelo seu combate às causas da emigração com sinceridade, dedicação, respeito e humanismo. A todos dirijo uma saudação muito especial. Por tudo isto, no léxico português, só encontro uma palavra que, na sua simplicidade, pode exprimir toda a nossa gratidão e que é: OBRIGADO! ------------------------------------------------------------ TESTEMUNHO Feitas as saudações e os devidos agradecimentos, é tempo de falar de um dos vultos feminino que marcou indelevelmente a História de Portugal. Sinto o peso do exercício desta tarefa nada fácil, tanto pela responsabilidade que acarreta, quanto pelas emoções e recordações que desperta em mim. Tantas recordações e afectos se cruzam e vêm ao de cima, irresistivelmente. Ninguém sai incólume de um encontro com Maria Barroso, uma mulher exemplar, generosa e de uma sinceridade desarmante. As suas palavras atravessam e atravessarão eras e reinventam o passado. Esta Grande Senhora, de pequena estatura, mas de uma enormíssima convicção, dedicou toda a sua vida a lutar contra os sistemas que lesam mulheres e homens, por mais Justiça, pela humanidade e, pura e simplesmente, pela vida. Certamente que terá sido alvo de invídias por parte de minorias, mas a grande maioria continua a venerar com grande admiração o ícone em que se tornou. Dotada de um rigor irrepreensível, no fundo, foi uma eterna rebelde sob um véu de delicadeza. Feminista, sempre defendeu a causa das mulheres com uma firmeza implacável, mas não aderiu às teses daquelas que – à semelhança de Simone de Beauvoir – negavam as diferenças entre os sexos. Está do lado dos mais fracos, mas refuta qualquer tipo de vitimização. A vida – que nem sempre foi um mar de rosas – como que em jeito de desculpa ofereceu-lhe oportunidades incessáveis de reconhecimento da sua pessoa, da sua integridade e do seu talento. A sua curiosidade pelo Mundo e pela sua transformação, pela vida e pelos outros, a abertura ao que é diferente e a alegria de viver – nunca a abandonaram, mesmo nas circunstâncias mais penosas. Foi sempre livre, veemente e serena e assim permanecendo ao longo do seu percurso e além dele. Soube traçar a sua independência em variadíssimos aspectos. Em inúmeras ocasiões, ecoaram palavras sobre a sua personalidade, tanto da parte de vozes modestas quanto de vozes egrégias, todas elas proferidas com respeito, admiração, carinho e determinação: aparentemente a Cara Senhora seria dona de uma personalidade vincada. Vincada! Pois sim! Maria de Jesus Barroso era uma mulher de personalidade e vanguardista em inúmeros domínios! Sabia exactamente aquilo que queria. Ficávamos horas a fio conversando pelo Mundo, em Lisboa, Paris... Dizia que Paris era a sua segunda Pátria, e respondia eu, que França passou a ser a minha primeira Pátria pelo facto do Marquês de Pombal ter incorporado apenas algumas ideias do Século das Luzes, o que levou Portugal a depor “as armas da razão” que produz injustiças, desigualdades … Que não é para nos autoflagelarmos, mas para pressionar no sentido de uma mudança urgente: acabar com a impunidade, a corrupção, os incompetentes, através da sanção moral pública, restabelecer, como exemplo, a honradez republicana como uma honra para servir o Estado e os outros e nunca para se servir a si próprio. Com o seu sorriso protector, dizia-me que incarnava melhor do que ninguém esta nova geração na qual deposita a sua confiança, para não deixar de lutar pelos meus ideais (só era vencido quem deixava de lutar), por uma justiça social que era o pilar principal para que uma sociedade fosse mais pacífica, coesa e equilibrada. Que ainda somos o país com maiores desigualdades no quadro europeu, onde a distância entre os mais pobres e os mais ricos é maior. Que isso é inaceitável, anos após a Revolução dos Cravos! E se quisermos justamente evitar revoltas anárquicas, toda a espécie de violência, e uma grande crispação e mal-estar social, é necessário ter a coragem de fazer as reformas que se impõem, com os olhos postos nas pessoas. Que precisávamos mais do nunca de uma Justiça – isenta, independente e justa – sendo outra das prioridades, para dar confiança aos portugueses e para prestigiar no estrangeiro o nome de Portugal. Saboreava uma a uma, cada uma das suas palavras perdendo a ilusão do tempo. Parecia encerrar um segredo: uma aliança entre tradição e modernidade numa única pessoa. Quando a observava, lembrava-me daquelas grandes senhoras de outros tempos, cuja distinção e porte impunham respeito. E, ao acompanhar o seu percurso, considerei-a sempre uma figura de proa, que lidera destemidamente a história. A sua curiosidade insaciável e o seu sentido de minúcia são característicos de uma natureza inquieta e fervorosa que faz avançar o mundo. Foi consigo que fiquei a saber que, na vida, aprendemos mais com as nossas perguntas do que com as nossas respostas. É verdade que era uma mulher enigmática, um enigma claro e reluzente capaz de atingir uma diafaneidade digna de admiração embora, no seu caso, se sentisse ainda algo mais: respeito, afecto, uma espécie de fascínio. Muitos, tanto em Portugal quanto além-fronteiras, se regozijariam por tê-la como confidente e amiga. Tive a sorte inaudita de ser sua amiga e a felicidade de partilhar momentos inesquecíveis consigo, aprendendo com a sua meticulosidade, a sua sabedoria, o seu humanismo e a sua liberdade. Entre todas as figuras da nossa era, a Maria Barroso é inquestionavelmente uma das preferidas dos portugueses, e não só. A admiração e o afecto são os sentimentos predominantes que é capaz de inspirar em todos nós. Personifica brilhante e incomparavelmente a resistência aos tempos terríveis que atravessamos, em que a violência se propagou talvez como nunca na história da Humanidade e, ao longo da qual, alguns – como foi o seu caso – lutaram contra as adversidades, com coragem e determinação, ilustrando os princípios da igualdade e fraternidade que em nada nos são estranhos. Para concluir, devo ainda acrescentar que existem pessoas extraordinárias que fazem mudar a forma como vemos as coisas e acreditar no sonho de um mundo melhor, sem recorrer à rispidez, mas antes à força da vida, beleza e ao poder da sua maneira de ser. O seu único defeito residia em esquecer-se de si própria em favor dos outros, mas quem poderia recriminar-lhe isso? Hoje, almejo sobretudo recordar esses momentos que partilhámos e que me inspiram a travar, com a ajuda de outros, as lutas que também travou. A sua memória perdurará para sempre entre nós! E afianço-lhe que a ponte que lançou entre dois mundos também!

domingo, 19 de junho de 2016

M Aguiar - O OUTRO PORTUGAL

para Paulo
O outro Portugal


1 - Falar de comunidades portuguesas tornou-se uma outra maneira de dizer emigração. Dá-se -lhes, correntemente, um significado estatístico - a comunidade portuguesa de França conta um milhão de portugueses, a da Africa do Sul  meio milhão... E assim se vão somando milhões, por alto, porque ninguém sabe, com inteiro rigor, quantos são (e, quase sempre, ficam aquém da realidade, num universo em expansão, sempre que novos portugueses começam a ver-se como tal, reclamando a sua ascendência…)
Aprendi, logo na minha primeira visita "à comunidade da América", em 1980, que o que interessava, em termos de presença e influência portuguesa, era essencialmente de ordem qualitativa e não quantitativa - era a organização do grupo, não "a comunidade" abstrata, mas no plural, "as comunidades", num sentido orgânico e dinâmico.
Depois, em muitas outras visitas circulares, a correr de cidade em cidade, recebida nas associações, nas escolas, nas paróquias portuguesas (normalmente sem tempo para ver o resto da cidade) repetiu-se a extraordinária sensação de que regressava ao país, sem nunca dele ter saído... Tudo o que possamos ter lido e ouvido de terceiros não nos prepara, nunca, para o que vamos viver, na convivência com esses outro Portugal, mais emotivo e mais consciente de si, que é, nas palavras do Prof Adriano Moreira, a "Nação dos afetos" - um espaço extra territorial de saudade e presença lusófona, (em alguns casos já somente lusófila...), onde tem a sua sede um conjunto de instituições, que os cidadãos construíram para suprir a grande ausência do Estado Português, no plano social ou no da cultura.
Esses mundos, nossos, são criados não diretamente pelo movimento migratório -  que seria, como aliás à partida se esperava, fator de dispersão e perda certa -  mas, sim, por um poderoso movimento associativo,  pura "sociedade civil". De país para país, sem qualquer ligação entre si, em cada novo ciclo migratório, a reação dos Portugueses foi espantosamente idêntica. Com dimensão variável, porque são diferentes os meios postos ao serviço do projeto comunitário, por todo o lado encontramos associações de solidariedade, de defesa da língua e da cultura, centros recreativos e  clubes desportivos. A semelhança só pode vir de paradigmas de organização trazidos da terra de origem ("réplicas" de aldeias portuguesas, na expressão de alguns especialistas neste domínio). O orfeão, o rancho folclórico, o teatro de amadores, o clube de futebol... As beneficências (seguindo o modelo das " misericórdias"), as sociedades fraternais, as escolas, os lares de idosos... as Igrejas, as Sociedades do Divino Espírito Santo, que se espalham, às centenas, no mapa da Califórnia e noutros lugares de imigração açoriana...
Se a existência deste imenso património tivesse dependido do mais pequeno gesto do Estado Português, nem uma só dessas estruturas (algumas monumentais, como as do Brasil) teria conseguido erguer-se. Bem poderíamos parafrasear o Presidente Kennedy, mas usando o tempo pretérito: “não lhes perguntem o que o Pais fez por eles, perguntem-lhes o que eles fizeram pelo País”.
 
2 - A obra está por todo o lado, como os próprios portugueses. É uma obra que se deve à reconversão de uma tradicional emigração de homens sós (consentida e privilegiada pelo Estado, sempre sedento das remessas que nessa situação necessariamente mandavam para a terra...) em emigração familiar, com a sua metade feminina - quase invisível na direção das instituições mais antigas, mas determinante em termos de integração na sociedade estrangeira e na vida das organizações de cultura portuguesa,  que, aliás, se vão abrindo à sua participação igualitária,  pouco a pouco...
As organizações mais do que centenárias encontraram sempre continuadores, mas, tal como muitas outras da emigração mais recente, um pouco por todo o lado, começaram, há alguns anos, a questionar seriamente o seu futuro, visto como dependente da renovação dos fluxos migratórios .
O discurso oficial, no período posterior à adesão à CEE (esse “clube de ricos”), chegou a anunciar o fim dos tempos da nossa emigração! E os Portugueses acreditaram, durante cerca de 20 anos, porque o fenómeno migratório se devera, fundamentalmente, à pobreza, que parecia coisa do passado...
Ora a pobreza está, agora, de volta ao País, pela mão de um Governo, que, em tempo de crise, não hesita em levar a cabo um programa de empobrecimento geral, de completa destruição das classes médias. E, assim, um novo e decepcionante ciclo de emigração se desenha, - emigração desmesurada como aquela que há precisamente um século, o Prof Fernando Emygdio da Silva denunciava chamando-lhe “emigração delirante”, Saem todos  os que podem sair -- os mais e os menos qualificados, os mais jovens e os mais velhos, os homens e as mulheres ( ainda uma minoria, é certo, mas, pela primeira vez, autonomamente)
Estará à vista a solução para uma segunda vida do associativismo, e, com ele, das comunidades da Diáspora, num novo equilíbrio de género e geração.? Ninguém pode ter certezas... Tudo vai depender da atitude dos que partem: como desistentes, deixando o País para trás, ou como resistentes, levando  Portugal consigo.
Umas palavras para a Fundação Luso Africana Esta Fundação mais do que um projeto pioneiro de um passado ainda próximo do processo de descolonização, no fim dos tempos do império português, pode ser, hoje, um precioso instrumento de diálogo e cooperação entre povos que tem um infinito futuro para viver em comum. Acredito que a sociedade civil pode aprofundar um paradigma de convivialidade, e. com ele, influenciar o melhor relacionamento das instituiçõess públicas e dos governos, entre si.. Facto novo é, agora, o recrudescer de movimentos migratórias nos dois sentidos, de Portugal para a Africa lusófona e de lá para cá - para além das antigas e recentes comunidades de imigrantes caboverdianos entre nós, os portugueses procuram Cabo Verde, Moçambique, e, em grande número, Angola para viver, trabalhar, investir. De um modo geral, a circulação de pessoas e bens, os empreendimentos intensificam-se, um pouco por todo o lado, em cinco continentes, no imenso espaço geográfico, cultural, económico da lusofonia. Este é mais o nosso mundo do que qualquer outro, daqueles a que pertencemos, em razão de diferentes afinidades, interesses e contingências. É o mundo da nossa família mais próxima e natural, a da língua, a da história multisecular - família dispersa na distância, que as migrações têm o poder de reunir em laços fraternais, libertos de ditâmes políticos ou de vínculos de dominação. A CPLP só ganha em ser, primeiramente, uma comunidade de Povos, para ser depois, uma comunidade de Países. A Fundação enquadra-se certamente na primeira, visando a construção da segunda, como força de paz, de tolerância e de democracia num novo século tão carente destes valores civilizacionais.