domingo, 19 de junho de 2016

Umas palavras para a Fundação Luso Africana Esta Fundação mais do que um projeto pioneiro de um passado ainda próximo do processo de descolonização, no fim dos tempos do império português, pode ser, hoje, um precioso instrumento de diálogo e cooperação entre povos que tem um infinito futuro para viver em comum. Acredito que a sociedade civil pode aprofundar um paradigma de convivialidade, e. com ele, influenciar o melhor relacionamento das instituiçõess públicas e dos governos, entre si.. Facto novo é, agora, o recrudescer de movimentos migratórias nos dois sentidos, de Portugal para a Africa lusófona e de lá para cá - para além das antigas e recentes comunidades de imigrantes caboverdianos entre nós, os portugueses procuram Cabo Verde, Moçambique, e, em grande número, Angola para viver, trabalhar, investir. De um modo geral, a circulação de pessoas e bens, os empreendimentos intensificam-se, um pouco por todo o lado, em cinco continentes, no imenso espaço geográfico, cultural, económico da lusofonia. Este é mais o nosso mundo do que qualquer outro, daqueles a que pertencemos, em razão de diferentes afinidades, interesses e contingências. É o mundo da nossa família mais próxima e natural, a da língua, a da história multisecular - família dispersa na distância, que as migrações têm o poder de reunir em laços fraternais, libertos de ditâmes políticos ou de vínculos de dominação. A CPLP só ganha em ser, primeiramente, uma comunidade de Povos, para ser depois, uma comunidade de Países. A Fundação enquadra-se certamente na primeira, visando a construção da segunda, como força de paz, de tolerância e de democracia num novo século tão carente destes valores civilizacionais.

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